Por Rubén Zamora
Fonte: www.farc-ejercitodelpueblo.org/
O Projeto da Grande Colômbia que foi o sonho do Libertador Simón Bolívar, está na mira desesperada no Novo Império. O Ideário da Independência se tem adiado tempo demais e em seu nome se comemorou o grito sublime do dia 20 de Julho pelo governo da Colômbia, em quanto o seu território nacional era ocupado por tropas norte-americanas num ato explícito de violação à Soberania Nacional, dos Princípios Republicanos e da Constituição Política.
O chamado “super-show nacional do 20 de julho”, e a cavalgada militar pelo caminho por onde passou o Libertador foi uma jogada da grande mídia para usurpar a memória histórica e para tender outro manto falaz de desorientação, ante o mais grave dentre tantos e vergonhosos atos dos dirigentes políticos do país atualmente no exercício do poder. O Conselho de Estado apenas sussurrou contra a violação de seus foros e o Congresso foi incapaz de se pronunciar, por estar cheio de imoralidade, ilegitimidade e ilegalidade, tendo-se desconhecido seu direito constitucional. Tem transcorrido o tempo suficiente para ter declarado a ilegalidade desse episódio punível que pudesse adiar o infausto destino à Pátria.
Nada legítimo, legal, ético ou moral justificaria na Colômbia ou em qualquer outro país do mundo, a intervenção de tropas estrangeiras. Esse ato é uma pancada deferida nos anseios dos colombianos de acabar com um conflito de mais de 60 anos de muito sacrifício e sofrimento padecidos pelo nosso povo. A oligarquia mais ranzinza, as multinacionais e as grandes corporações do complexo industrial dos Estados Unidos enchem seus bolsos com o negócio da guerra. Eles querem perpetuar a dor dos colombianos e afogar em sangue o projeto estratégico de nossos povos da América do Sul, Centro América e O Caribe.
O Terrorismo na Colômbia é a essência do atual regime. Por culpa dele mais de quatro milhões e meio de colombianos têm sido desalojados violentamente, centenas e centenas assassinados; um Projeto Político (a União Patriótica) foi banido aos tiros e mais de cinco mil de seus dirigentes assassinados. Mais de 6.5 milhões de hectares foram arrebatados aos camponeses e uma enorme quantidade deles assassinados e enterrados em valas comuns. O Sindicalismo continua sendo objetivo da guerra suja e da arbitrariedade da legislação trabalhista. Os povos indígenas continuam sendo vítima da pilhagem de seus territórios como na época da conquista e milhões de colombianos padecem enfermidades curáveis, fome, desnutrição e miséria. O Narcotráfico penetrou até nas mais altas instâncias do poder e tem servido de amparo às atrocidades do terrorismo de Estado e o paramilitarismo que segue intacto ao serviço do poder dominante.
A rebeldia do povo colombiano e seu exército de guerrilhas das FARC-EP, que é um dos objetivos a ser destruído, representa o direito de um povo que resiste digna e heroicamente. Embora tenha sido difícil o combate, seguimos incólumes e temos a certeza da revolução bolivariana porque nosso não será indiferente ante o seu dever histórico e a confiança que nele depositou o pai de todos os libertadores, Simón Bolívar.
20 de agosto de 2009
- Texto que eu traduzi, e foi publicado na ANNCOL
13 de agosto de 2009
Manifestantes sobem no terraço do Congresso para pedir saída de Sarney
Um grupo com cerca de 20 manifestantes do PSOL ocupou o terraço do Congresso na tarde desta quarta-feira (12) para pedir a saída do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), do comando da Casa. Os manifestantes chegaram a abrir uma faixa na qual estava escrito: "Fora Sarney e todos os corruptos".
Os militantes do PSOL foram recebidos com golpes de cacetete pelos soldados que tentaram evitar a realização do ato. Depois da sessão de agarrões entre a polícia e os manifestantes, os senadores José Nery (PSOL-PA) e Sérgio Guerra (PSDB-PE) subiram até a cúpula do Congresso para acalmar os ânimos dos seguranças. Deputados do PSOL também correram em defesa dos manifestantes.
Os manifestantes ficaram no terraço do Congresso por cerca de 25 minutos. A manifestação continou no gramado em frente ao Senado. Os militantes do PSOL conseguiram abrir a faixa e pedir a saída de Sarney do comando da Casa.
A assessoria do presidente do Senado disse ao G1 que não iria comentar o protesto. Em nota, o PSOL disse que dois militantes do partido foram presos pela Polícia Militar.
Nesta terça (11), outro protesto marcou o dia no Senado.Um grupo de manifestantes tentou entregra pizzas na Casa, mas foi impedido pelos seguranças do Senado.
Manifestantes em frente ao Congresso fazem protesto contra a permanência de José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado (Foto: Celso Junior/Agência Estado)
Fonte
8 de agosto de 2009
Fim do Senado CorruPTo
Desculpem o uso da palavra.
Mas que putaria é essa no Senado Federal?
Pra quem não sabe, o Senado era pra ser um motivo de orgulho para todos os brasileiros, ele faz parte da nossa história de lutas e conquistas, mas se transformou na nossa vergonha!
As pessoas elegem a cada 8 anos estes seres para que eles possam mostrar tão descaradamente que estão fazendo seu papel muito mal feito, transformando um ambiente que deveria servir ao povo, em um ambiente baixo, onde só se vê escândalos, e trocas de farpas, e palavras de baixo calão, mesmo que regidas por um pronome de tratamento culto.
O povo brasileiro passa as maiores humilhações sem se dar conta, por que enquanto a maioria das pessoas fica dispersa com reality shows e novelas, o governo deita e rola e ninguém vê. O presidente chama um homem que tem nada mais do que 11 ações na costas, por falta de decoro, corrupção entre outras, de homem incomum, de privilegiado.
Dentro dessa esfera é triste ver pessoas chamarem de baderneiros aqueles que saem as ruas, gritando, pedindo o fim do Senado Federal, alegando que isso é ir contra a democracia, negar a história e a luta.
A questão é, o que o Senado Federal se tornou? Quem ainda acredita que ele pode ser mudado ou transformado, precisa de um chá de realidade, pois coelhinhos das páscoa não existem!
O Senado se tornou um agente de falcatruas e enriquecimento ilícito de coronéis que há anos continuam no poder, e por incrível que pareça, conseguem sempre apoio pra continuar roubando e mentindo, enganando o povo brasileiro!
Quando levantamos o coro pelo Fim do Senado corruPTo, queremos pedir não apenas o fim de uma câmara alta da qual a imagem está tão suja que é impossível limpar, nem a sua substituição por outra câmara já tão suja quanto esta, pois já está claro como água cristalina que esses homens eleitos “democraticamente” nada fazem pelo bem do povo.
Pelo fim do Senado para acabar com os privilégios dessa máfia instalada nos poderes da nação.
Pelo Fim do Senado CorruPTo! Fora Sarney!
25 de julho de 2009
Fora Sarney

O Conselho de Ética do Senado já recebeu 11 ações contra ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). São cinco representações - duas do PSOL e três do PSDB - e seis denúncias - quatro de autoria do líder tucano Arthur Virgílio (AM) e duas assinadas em conjunto por Virgílio e Cristovam Buarque (PDT-DF). Um parlamentar acusado de quebra decoro pode, se o processo é aprovado em plenário, perder o mandato.
As duas denúncias apresentadas por Virgílio e Buarque foram registradas no Conselho de Ética no começo da noite. A primeira é baseada em reportagem publicada hoje pelo jornal "Folha de S.Paulo" segundo a qual Sarney teria vendido propriedades sem o devido pagamento de impostos. A outra denúncia terá como fundamento notícia do jornal "Correio Braziliense" na qual Aluísio Guimarães Filho, agente da Polícia Federal (PF) cedido pela presidência da República ao senador José Sarney na cota de funcionários de ex-presidentes da República, passava informações sigilosas da PF ao empresário Fernando Sarney, investigado pela PF na Operação Boi Barrica.
A assessoria do senador Cristovam Buarque havia informado à imprensa que as novas denúncias seriam protocoladas amanhã, mas, por orientação do senador Arthur Virgílio, os documentos foram registrados por um funcionário de seu gabinete já na noite de hoje. Segundo a assessoria de Virgílio, houve uma falha na comunicação entre o gabinete de ambos os senadores, pois a opção do senador tucano sempre fora pela oficialização dos novos pedidos hoje.
Como algumas das representações contra José Sarney tratam todas do mesmo teor, o presidente do Conselho de Ética do Senado, Paulo Duque (PMDB-RJ), deve propor que sejam unificadas, segundo informação de um interlocutor do senador à Agência Estado. As representações que poderiam ser unificadas são quatro: duas delas - uma registrada pelo PSDB e outra pelo PSOL - pedem ao conselho que investigue a responsabilidade de Sarney na edição de atos secretos; e duas - também apresentadas cada uma por um destes partidos - pedem a apuração da possível participação de José Sarney no esquema de desvio de dinheiro de patrocínio cultural da Petrobras pela fundação que leva seu nome.
Das cinco representações recebidas pelo Conselho de Ética contra Sarney, apenas uma não seria vinculada: aquela em que o PSDB pede ao Conselho de Ética a apuração de suspeita de favorecimento do presidente do Senado a seu neto José Adriano Cordeiro Sarney, cuja empresa operava crédito consignado a servidores da Casa.
Paulo Duque, apesar de ter a prerrogativa, como presidente do Conselho, de arquivar sumariamente as representações contra Sarney, não estaria disposto a enfrentar o desgaste político dessa opção. Ele estaria confiante em que, ao entregar aos conselheiros a decisão sobre as representações, a maioria deles pedirá o arquivamento delas. Dez dos quinze senadores do Conselho de Ética são da base aliada ao governo.
15 de julho de 2009
51º CONUNE
10 de julho de 2009
Rebeldias, lutas e passe livre - uma hist[oria a se refletir
A pauta do passe livre ou meia passagem para estudantes é muito antiga. Já em 1918 estudantes de córdoba (Argentina) reivindicavam o passe livre em uma ocupação universitária. Em diferentes países da América Latina (Chile, Bolívia, Venezuela, Equador, Argentina) temos notícias de lutas semelhantes no decorrer da história. No Brasil a pauta já foi apresentada por diversas entidades estudantis desde no mínimo 60 anos atrás. O legado destas lutas é de tamanha relevância que cidades como Rio de Janeiro e Cuiabá já tem passe livre para setores estudantis há algumas décadas.
Geralmente estas lutas apresentam uma argumentação comum: a/o estudante não deve pagar para chegar à escola, dado que a educação pública e gratuita é um direito e deve ser assegurada pelo estado - faz-se a vinculação de educação e transporte, prevalecendo a educação na mobilidade urbana.
No do MPL desenvolvemos esta linha, ampliando a discussão em dois sentidos: entendemos a educação como um bem social assim como saúde, saneamento básico, moradia e cultura, pensando no amplo direito à cidade. Transporte para nós é também um bem essencial para as cidades, estando inserido em um amplo debate sobre a mobilidade urbana, que é a circulação livre dos serviços, bens e das pessoas na cidade - por isso o transporte não pode ser uma mercadoria (viver em função do lucro empresarial). Simplificando, o MPL luta pra que todo mundo possa ir à escola, hospital, teatro, biblioteca e que a biblioteca, teatro, escola e hospital também estejam em vários pontos da cidade sem centralização.
Além disso, damos uma tônica antisistêmica à luta, buscando reconhecer quais contradições da sociedade capitalista enfrentamos na nossa realidade. O racismo está presente, pois transporte é uma forma de segregação social. O machismo também, pois a mobilidade necessária é restringida pelos perigos que mulheres enfrentam ao andarem sozinhas pelas ruas a noite, por exemplo. E sabemos também que hospitais e escolas hoje servem mais pros patrões que pra população, e por isso lutamos por outra forma de organização da sociedade.
O Passe Livre Estudantil (P.L.E.) é, em nossa leitura, um começo de uma discussão mais ampla de sociedade, e deve estar orientado por alguns princípios. O MPL lançou em 2004 no DF o passe livre com base em alguns presuspostos: 1) o estado deveria pagar inteiramente a passagem, para acabar com o rateio entre outrxs usuários/as da meia passagem (reduzindo a tarifa); 2) o passe livre para além do trajeto casa-escola-casa, em qualquer horário, dia da semana ou ano, sem distinção de "quando-onde-como-porque", pensando a educação ampla do direito à cidade; 3) O P.L.E. é para toda e qualquer estudante, em qualquer grau; 4) não tem porque alguém perder o direito por conta de burocracias estatais ou de suposto "uso indevido" do passe livre, pois circular pela cidade, em qualquer situação, é exercer o direito a ela, não há nada de indevido nisso.
Fizemos, todavia, a vinculação constante da luta pelo passe livre à luta contra este sistema de transportes mercadológico, denunciando a sua forma arbitrária de organização. Em diversos momentos a luta do passe livre foi convertida em luta contra o aumento das passagens, e vice-versa. Desta vinculação do específico com o geral, do passe livre até os transportes e dos transportes até a sociedade é que intervimos na conjuntura do DF e Brasil.
Outros projetos de passe livre surgiram na sociedade, contemplando parcial ou totalmente estas perspectivas apresentadas. foram o passe social, o passe livre só casa-escola-casa, o passe livre só para escola pública secundarista, o passe livre com subsídio de só um terço pelo estado, e agora esse passe livre com lucro para os empresários. Apesar das diferentes justificativas todos estes projetos mantiveram preconceitos e restrições à idéia central de que o transporte é um direito social e, para ser público, tem que ser pago totalmente pelo estado por meio da receita dos impostos - em especial da parcela mais rica da sociedade. Também por isso permanecemos sempre apresentando nossas concepções de forma autônoma, independente e radicalizada.
Nossas inspirações locais pra realizarmos esta forma de luta no DF vieram, certamente, de muitas teorias, práticas sociais e outros movimentos políticos relevantes. Em especial duas recentes mobilizações formaram um certo paradigma pra gente: a Revolta do Buzú (Salvador, 2003) e a Revolta da Catraca (Florianópolis, 2004 e 2005). Trataram-se de fatos marcantes em que a população saiu às ruas em rebeldia e radicalização, alcançando parcial ou totalmente seus objetivos.
Os exemplos de Salvador e Floripa se converteram em mitos folclóricos para nossa luta - pois geralmente só relatávamos as partes convenietes da história daquelas complexas lutas. Elas também deixaram para nós um paradigma de conquista do passe livre: cercariamos a camara dos deputados ou o prédio do executivo com uma enorme mobilização, intimidariamos o governo que amedrontadíssimo implementaria o passe livre, com a faca na garganta. Nossas pretensões tinham então muito de heroísmo e relações simplistas de causa e efeito.
Essas imagens fantasiosas também ocorreram porque quando iniciamos a construção do Movimento Passe Livre no DF havia - como ainda há - mais que a vontade da conquista da pauta. Pelas nossas pretensões gerais de transformação revolucionária da realidade, por sermos novas agentes na sociedade e na luta de classes, nossa perspectiva era também de realizar a conquista unicamente pelos meios radicais que implementamos na luta. Era certamente uma mentalidade de guerra - necessária em vários momentos, mas não pro cotidiano da luta. Acredito, com um pouco de ironia, que estas pretensões de ser rambo não se sustentaram, pois inclusive este simpático ícone é uma representação de muito do que negamos - é a figura do heróico ocidental, machista, racista e imperial. Certamente a precisávamos de outras figuras pro nosso imaginário, pois a luta por um mundo novo não é feita em capítulos ou narrativas de começo, meio e fim bem definidas. E as personagens são complexas e contraditórias, necessariamente.
Mas nossa trajetória não foi só esse desespero sonhador. Realizamos importantes lutas e reconstruímos diferentes significações na cidade tanto nos transportes como também contribuímos para a cultura geral de lutas dos movimentos sociais na cidade. O MPL, junto com vários outros movimentos, participou da retomada de conceitos como ação direta, horizontalidade, rebeldia e irreverência na luta. Também aqui ajudamos a desenvolver alguns conceitos de luta política na cidade, como Catracaços, Escrachos, Ressignificações Urbanas, Okupas, entre outras. O nosso Exército Revolucionário Insurgente de Palhacis (E.R.I.P.), talvez seja a maior expressão disso tudo. Mas voltemos ao passe livre, que ainda estamos por conquistar de fato.
O caminho trilhado pelo MPL foi diferente da velocidade, radicalidade e causalidade que projetamos: no fim das contas, os conceitos "radicais e rebeldes" que apresentamos à sociedade foram incorporados em boa medida pelas instituições contra as quais lutamos. E, contraditoriamente, fomos ganhando espaço e respeito dentro de diversos espaços do sistema vigente. Assim, nossa ampla aceitação e reverência em espaços contraditórios da sociedade, como Universidades, Parlamento, Partidos políticos, Organizações burocráticas e até mesmo da mídia capitalista (que usa nossas manifestações e pautas como espetáculo para vender jornais), gerou a pressão social necessária para que a pauta avançasse. Mais que isso, o próprio poder executivo e o empresariado dos transportes assumem agora nossa pauta, porém dando uma roupagem e configuração que possibilite o maior lucro e projeção política.
Mas que situação! Pelo relato desenvolvido até agora parece que a forma e conteúdo da nossa luta estão sendo assimilados pela sociedade, e nossa proposta política apropriada pelos inimigos de classe. Mas o grande desafio é justamente esse, dado que um movimento que resiste no decorrer do tempo enfrenta momentos complexos. Nossa situação agora se recheia de contradições: não podemos, como muitos movimentos fazem, seguir da vitória parcial à acomodação ao sistema. As contradições que geramos à sociedade capitalista por meio da luta do passe livre deram um saldo importante. Mas trata-se agora de gerar novas contradições e insistir nas que não foram vencidas ainda - daí partimos à luta pela tarifa zero, para ampliar a discussão que iniciamos. Mais que isso, nossa organização e formas de trabalho não se alteraram: ainda somos um movimento que busca construir desde dentro aquele mundo novo que projetamos, e nossa principal forma de luta ainda é a ação direta. O nosso fim, como já apresentado, ainda é uma vida sem catracas, libertária. Até lá ainda falta um longo caminho. Dado que já o iniciamos e tudo que fizemos, interromper esta caminhada será muito pior que prossegui-la.
3 de julho de 2009
QUEDA NA DECADÊNCIA
Ontem fui cobrir a queda do Sarney mas acabei caindo antes dele. Na verdade acabaram "me" caindo.
Na entrada do Coronel Sarney ao Senado fui recebido com empurrão e socos de um segurança. Ele impediu que eu caminhasse e disse: "O Sarney não quer responder". Eu disse "Tudo bem, mas eu quero perguntar". Consegui sair do primeiro segurança. Mas logo fui recebido por outro segurança com um gesto de dar inveja aos caras do NX-Zero: o cara me segurou forte por trás.
Após eu ser agarrado por trás fui jogado no chão. Quando eu estava lá embaixo consegui enxergar os princípios da política nacional. Pensei: "Ah...então é aí que você estava esse tempo todo! Nesse chão sujo".
Levantei preocupado, pois senti que tive meu cabelo despenteado. Mas consegui superar isso e me dirigi até o elevador. Falei antes que a porta fechasse: "Fizeram comigo o que querem fazer com o senhor. Me derrubaram".
No fim das contas a matéria repercutiu por aí e a Polícia Federal do Senado baseou sua defesa no argumento que ninguém me agarrou, pelo contrário, eu que me joguei. E de fato eles tem razão. Eu fiz isso logo após ter batido com minha canela na sola do sapato do segurança e logo após eu ter encaixado meu corpo nos braços do capanga. Quando se passa muito tempo defendendo mentirosos é aceitável que um dia você se defenda com a mentira.
Terminando com o velho discursinho, quero dizer que acredito que numa democracia eu tenho o direito de perguntar e você tem o direito de não responder. E o segurança tem o direito de me agredir. Digo... ele teria esse direito se ao invés de numa democracia vivessemos numa anarquia. E eu juro que simpatizo mais com a anarquia do que com a democracia. Porém quando a anarquia pode ser praticada só por um lado então não é anarquia. É tirania. Ou filho-da-putice, como chamam isso na minha rua.
O que eu posso dizer é que amo o que faço e fico feliz de saber que enquanto fizer humor político no Brasil jamais vai faltar matéria-prima de primeira pro meu trabalho.
1 de julho de 2009
Honduras: a futilidade do golpe
por Atilio A. Boron
A história repete-se e, muito provavelmente, conclui-se da mesma maneira. O golpe de estado nas Honduras é uma re-edição do que se perpetrou em Abril de 2002 na Venezuela e daquele que foi abortado na Bolívia no ano passado, após a fulminante reacção de vários governos da região. Um presidente violentamente sequestrado durante a madrugada por militares encapuzados, seguindo ao pé da letra o que indica o Manual de Operações da CIA e a Escola das América para os esquadrões da morte; uma carta de renúncia apócrifa que foi divulgada a fim de enganar e desmobilizar a população — e que foi de imediato retransmitida para todo o mundo pela CNN sem confirmar previamente a veracidade da notícia; a reacção do povo que, consciente da manobra, sai às ruas para deter os tanques e os veículos do Exército com as mãos limpas e exigir o retorno de Zelaya à presidência; o corte da energia eléctrica para impedir o funcionamento da rádio e da televisão e semear a confusão e o desânimo. Tal como na Venezuela, mal encarceraram Hugo Chávez os golpistas instalaram um novo presidente: Pedro Francisco Carmona, rebaptizado pela criatividade popular como "o efémero". Quem desempenha o seu papel nas Honduras é o presidente do Congresso unicameral desse país, Roberto Micheletti, que neste domingo juro como mandatário provisório e só um milagre o impediria de correr a mesma sorte que o seu antecessor venezuelano.
O que aconteceu nas Honduras põe em evidência a resistência que provoca nas estruturas tradicionais de poder qualquer tentativa de aprofundar a vida democrática. Bastou que o presidente Zelaya decidisse convocar uma consulta popular – apoiada com a assinatura de mais de 400 mil cidadãos – sobre uma futura convocatória a uma Assembleia Constitucional para que os diferentes dispositivos institucionais do estado se mobilizassem para impedi-lo, desmentindo desse modo o seu suposto carácter democrático: o Congresso ordenou a destituição do presidente e uma sentença do Tribunal Supremo validou o golpe de estado. Foi nada menos que este tribunal quem emitiu a ordem de sequestro e expulsão do país do presidente Zelaya , perfilhando como fez ao longo de toda a semana a conduta sediciosa das Forças Armadas.
Zelaya não renunciou nem solicitou asilo político na Cosa Rica. Foi sequestrado e expatriado, e o povo saiu às ruas para defender o seu governo. As declarações que conseguem sair de Honduras são claríssimas nesse sentido, especialmente a do líder mundial da Via Campesina, Rafael Alegría. Os governos da região repudiaram o golpismo e no mesmo sentido manifestou-se Barack Obama ao dizer que Zelaya "é o único presidente de Honduras que reconheço e quero deixar isso muito claro". A OEA exprimiu-se nos mesmos termos e na Argentina a presidenta Cristina Fernández declarou que "vamos promover uma reunião da Unasur, ainda que Honduras não faça parte desse organismo, e vamos exigir à OEA o respeito da institucionalidade e a reposião de Zelaya, além de garantias para a sua vida, sua integridade física e da sua família, porque isso é fundamental, porque é um acto de respeito à democracia e a todos os cidadãos".
A brutalidade de toda a operação tem a marca indelével da CIA e da School of Americas: desde o sequestro do presidente, enviado em pijama para a Costa Rica, e o insólito sequestro e as pancadas dadas em três embaixadores de países amigos: Nicarágua, Cuba e Venezuela, que se haviam aproximado da residência da ministra das Relações Exteriores de Honduras, Patrícia Rodas, para exprimir-lhe a solidariedade dos seus países, passando pela ostentatória exibição de força feita pelos militares nas principais cidades do país com a intenção clara de aterrorizar a população. Na ultima hora da tarde impuseram o toque de recolher e existe uma censura estrita da imprensa, apesar do que não se sabe de declaração alguma da Sociedade Interamericana de Prensa (sempre tão atenta perante a situação dos media na Venezuela, Bolívia e Equador) a condenar este atentado contra a liberdade de imprensa.
Cabe recordar que as forças armadas das Honduras foram completamente reestruturadas e "re-educadas" durante os anos oitenta, quando o embaixador dos EUA nas Honduras era nada menos que John Negroponte, cuja carreira "diplomática" conduziu-o a destinos tão distintos como Vietname, Honduras, México, Iraque, para posteriormente encarregar-se do super-organismo de inteligência do seu país chamado Conselho Nacional de Inteligência. A partir de Tegucigalpa monitorou pessoalmente as operações terroristas realizadas contra o governo sandinista e promoveu a criação do esquadrão da morte mais conhecido como o Batalhão 316, que sequestrou, torturou e assassinou centenas de pessoas dentro de Honduras enquanto nos seus relatórios para Washington negava que houvesse violações dos direitos humanos nesse país. Certa vez o senador estado-unidense John Kerry demonstrou que o Departamento de Estado havia pago 800 mil dólares a quatro companhias de aviões de carga pertencentes a grandes narcos colombianos para transportassem armas para os grupos que Negroponte organizava e apoiava nas Honduras. Estes pilotos testemunharam sob juramento, confirmando as declarações de Kerry. A própria imprensa estado-unidense informou que Negroponte esteve ligado ao tráfico de armas e de drogas entre 1981 e 1985 com o objectivo de armar os esquadrões da morte, mas nada interrompeu a sua carreira. Essas forças armadas são as que hoje depuseram Zelaya. Mas a correlação de forças no plano interno e internacional é tão desfavorável que a derrota dos golpistas é só questão de (muito pouco) tempo.
O original encontra-se em http://www.atilioboron.com
