Dia 17 de Abril é o dia nacional pela reforma agrária. Passou e sem grandes expectativas já que não há mesmo muito a se comemorar. Porém, para os companheiros que lutam no campo por uma reforma agrária, este mês traz grandes recordações.
No dia 17 de Abril de 1992, 19 trabalhadores rurais sem terra foram assassinados durante uma marcha de camponeses do MST, no município de Eldorado dos Carajás, no Pará. Nessa mesma época, acontecia no México, um congresso mundial com vários movimentos da via campesina, que tendo conhecimento do ocorrido no Pará, instituíram o dia 17 de Abril, como o dia mundial da luta camponesa.
Assim o mês de Abril ficou marcado por essas e outras lembranças relativas a luta no campo, entre elas, a morte de um dos nossos maiores exemplos, Emiliano Zapata, que comandou o que até hoje foi a reforma agrária mais radical da América Latina.
Aqui no Brasil, apesar de tudo, o movimento continua vivo. Apesar de pouco se ter noticia, e as que tem serem manipuladas por uma mídia que trabalha em prol de interesses particulares, ainda há trabalhadores rurais morrendo todos os dias na luta campesina, ainda há aqueles que acreditam que a terra é de quem trabalha. Assim como os trabalhadores rurais sem terra que desde fevereiro estão ocupadando cerca de 13 fazendas, pertencentes ao banqueiro Daniel Dantas e o grupo Oportunity na região do Pará.
É triste quando as expectativas não são correspondidas. É lamentável ver que o povo depositou suas esperanças em um governo que praticamente virou as costas para o movimento rural que tanto o apoiou.
Mas como todo bom otimista, é bom pensar que a males que vem para bem. A reforma agrária de cunho parlamentar, eleitoral, governista, é ilusão e isso é fato. Como dizia Che Guevara: ."
É preciso voltar às origens, fazer uma triagem no movimento campesino desde o topo até a base e tirar toda a ação contra-revolucionaria, pelega, e reacionária que possa estar atravancando o caminho para a reforma agrária.
Os patrões e seus governos são os únicos culpados pela crise. Mas, querem que os trabalhadores paguem por ela. Pior que isso, incentivam a luta de trabalhadores contra trabalhadores. Se isso acontecer, está aberta a porta para o fascismo.
No início de fevereiro, trabalhadores de uma usina nuclear na Inglaterra decidiram entrar em greve. O motivo principal foi a decisão da empresa de empregar italianos e portugueses pagando salários mais baixos. A palavra-de-ordem do movimento: “Empregos ingleses para trabalhadores ingleses”. Ou seja, a greve teve como alvos principais outros trabalhadores e não os patrões.
Em outras partes da Europa começam a acontecer casos assim. Os patrões cortam custos contratando trabalhadores que aceitam receber menos e ainda provocam divisões entre a classe trabalhadora. Ganham ainda mais força as propostas de limitar o acesso de imigrantes nos vários países europeus. É tudo o que os patrões e seus governos querem.
Claro que a revolta dos trabalhadores ingleses é justa. Mas, devem dirigir sua raiva contra os verdadeiros responsáveis pela situação. Os patrões e os governos que aplicam a política neoliberal há décadas. Uma política que levou ao atual desastre.
O fato é que a competição entre trabalhadores por emprego é típica do capitalismo. Graças a ela, ospatrões mantém baixos os salários e desunidos os operários. O que varia são as situações em que ela se dá. Em épocas de crescimento econômico, a competição é por salários melhores e empregos formais. Em épocas de crise, passa a ser por qualquer emprego e pela própria sobrevivência.
O discurso da burguesia diz que quem se esforça, vence. Diz que é possível que alguém pobre suba na vida. Em parte é verdade. No capitalismo, não há leis ou costumes que proíbam pessoas pobres de mudar de classe, tornando-se parte da burguesia. Mas, para cada camelô que vira Silvio Santos, milhões morrem trabalhando duro e ganhando uma miséria. Além disso, é praticamente impossível “subir na vida” sem trapacear e pisar em muitos dos “concorrentes”.
Por outro lado, como toda classe dominante, a burguesia usa todos os preconceitos a seu favor. Inclusive, os que já existiam antes de ela chegar ao poder.
No capitalismo vale a competição, não a cor da pele. Mas, todos os números provam que negros e, principalmente, negras ganham menos e têm os piores empregos. No capitalismo, vencem os competentes, não importa seu sexo. Mas, as mulheres sempre ganham menos que os homens no mercado de trabalho. Na competição capitalista não importa a origem familiar. Mas, há países, como a Índia, em que pessoas continuam a ser consideradas inferiores por sua origem de sangue. Os patrões indianos se aproveitam disso para pagar salários menores a elas.
Ou seja, o racismo, o machismo, a intolerância, são condenadas pela burguesia. Mas, são utilizados e reforçados por ela a toda hora. É só ver quantos programas de TV e rádio espalham esse tipo de coisa, dia e noite. Isso faz com que os trabalhadores fiquem desunidos e possam ser dominados e explorados mais facilmente.
Na crise atual, na Europa, estão culpando os estrangeiros pelos problemas de desemprego. Em outros países, podem vir a ser os camponeses, como na China. Ou os que vieram de outras regiões do país, como os nordestinos no Brasil ou os indígenas em outros países latino-americanos.
A última vez em que a burguesia teve sucesso em convencer os trabalhadores a lutarem entre si com argumentos preconceituosos e racistas foi uma tragédia. Foi nos anos 1930, quando os fascistas assumiram o poder em vários países. O nacionalismo virou fanatismo e dezenas de milhões de pobres e trabalhadores morreram. Mataram-se uns aos outros na Segunda Guerra Mundial.
O momento é muito perigoso. As organizações populares e de trabalhadores precisam estar preparados para matar essa cobra ainda dentro de seu ovo. Recusar qualquer luta contra setores da população pobre ou trabalhadores.
Os culpados são unicamente os patrões e os governos e políticos que os apóiam. Eles é que devem ser o alvo de nossas greves e jornadas de luta. Nada de acordos entre patrões e empregados em nome da salvação geral. Isso é coisa de traidores da classe. A burguesia só quer saber de salvar seu próprio couro.
Temos que defender a redução da jornada de trabalho sem redução salarial e abertura de novos postos de trabalho. Precisamos de mais empregos e salários dignos para todos. Não podemos ficar brigando por migalhas entre nós, enquanto os exploradores olham, gordos, satisfeitos e sorridentes.
Um incêndio destruiu a casa de uma família indígena no Santuário dos Pajés na manhã desta segunda-feira, 30 de março. A casa pertence ao índio fulniô Towê, que se encontra em viagem ao nordeste brasileiro neste momento. Dentro da habitação foram destruídos bens pessoais como documentos, móveis, alimentos e peças de artesanato, utilizadas como material de trabalho por Towê.
Pela tarde, uma equipe da perícia da Polícia Federal esteve no local para averiguar o ocorrido. Segundo Satxiê Tapuia, Pajé do Santuário, que acompanhou os policiais, um laudo técnico será finalizado até quarta-feira. Mesmo sem confirmação imediata, tudo aponta uma ação criminal intimidatória, já que o Santuário se localiza dentro da Terra Indígena do Bananal, ameaçada pela especulação imobiliária e pelo Governo do Distrito Federal, com o projeto de construção do Setor Noroeste, um bairro para classes A e B que tem movimentado mais de 500 milhões de reais envolvendo empreiteiras e investidores imobiliários.
Não é a primeira vez que uma ação com estas características acontece na área, ano passado, a casa de outro indígena fulniô foi derrubada diretamente pela Terracap com apoio da Polícia Militar do Distrito Federal. O grupo indígena que resiste às diferentes ofensivas à sua terra convive com constantes ameaças e matérias difamatórias veiculadas pela mídia corporativa local.
Na última semana, o Ministério Público Federal, por meio da Procuradora da República Luciana Loureiro de Oliveira, emitiu uma recomendação para que o ibama cancelasse a licença de instalação do Setor Noroeste, recomendando também que a Fundação Nacional do Índio instituisse um Grupo de Trabalho para aprofundar os estudos sobre a tradicionalidade da ocupação. A resposta do Ibama foi de que não cancelaria a licença e que o problema da comunidade indígena é uma questão da Funai, que por sua vez não respondeu a recomendação no prazo estabelecido pela procuradora, o que levou o Ministério Público a se manifestar com a possibilidade de um processo ao presidente do órgão Marcio Meira, por improbidade administrativa e possível prisão.
"Os donos do capital vão estimular a (...) comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado".
Karl Marx, in Das Kapital, 1867.
Qualquer semelhança com o atual presente, não é mera coincidência.
Todos as formas de governos existentes até hoje tiveram um fim, então o que faz pensar que o capitalismo vai existir para sempre?
O que é ser mulher? Às vezes me perguntam isso em entrevistas e fico inclinada a responder que é nascer com cromossomos XX, mas não é esta a resposta que o entrevistador espera, é preciso entrar no espírito do debate, e responder que ser mulher é... ah, não consigo.
Bem que tento entrar no clima do Dia Internacional da Mulher, mas esta data me emociona tanto quanto o Dia da Árvore. Um dia especial para refletir sobre nossa condição? Ora, não faço outra coisa o ano inteiro!
Gosto muito de ser mulher mas não acho que sejamos mais especiais do que os homens. Ou mais maltratadas do que eles. Há gente feliz e infeliz dos dois lados do ringue. E se temos que lutar por melhores salários, mais segurança, uma vida mais digna, isso tem que valer para todos – que seja o dia internacional do ser humano, e não o dia internacional da choradeira.
É claro que ainda há discriminação. Foram séculos de hegemonia masculina e isso não se muda do dia pra noite – e olha que em 50 anos mudou coisa demais. Voto, pílula, faculdade, independência financeira, liberdade sexual. Há mais ainda para ser conquistado, e será. Mas quem vai ajudar as mulheres são elas próprias, principalmente porque somos mães: mães dos futuros políticos, mães dos futuros genros de nossas filhas, mães dos futuros patrões delas, e mães delas mesmas, as futuras mulheres que queremos ver mais realizadas e respeitadas. A responsabilidade é toda nossa. Se acertamos ou erramos, se ganhamos mais ou ganhamos menos do que os homens, se somos tratadas com carinho ou com violência, tudo é decorrência das nossas escolhas e atitudes – e das nossas omissões.
Num mundo com tamanha desigualdade social, claro que nem todas as mulheres têm esclarecimento e poder para assumir sozinhas seu destino. Então briguemos por elas, como fizemos quando a argeliana Amina foi ameaçada de ser apedrejada por ser mãe solteira. O governo africano recebeu uma avalanche de cartas pedindo sua “absolvição”, e deu certo. Aquilo foi quando? Julho, setembro, novembro? Foi feito o que tinha que ser feito na hora em que se fez necessário. É assim que funciona. Fazemos nossa parte todos os dias de março, abril, agosto, dezembro, atendendo as demandas da vida, como árvores que somos, forças da natureza que não precisam de uma data única para lembrar aos outros nossa importância.
Em meio às angústias que assombram trabalhadores e a classe média, emparedados entre a fatalidade de uma ordem que se liquefaz e um futuro que nada propõe exceto agonia, parte dos teóricos da esquerda agarra-se à discussão metafísica de modelos, desobrigando-se de assumir a dura carpintaria de construção da história nesse momento. A análise é de Saul Leblon.
Saul Leblon
A crise mundial desencadeou um salutar debate sobre o desenvolvimento contribuindo para desbloquear a memória e o imaginário social, entorpecidos por sonolentas décadas de monólogo conservador. Por quase 30 anos despejou-se sobre a sociedade uma peroração cotidiana que reafirmava a virtude dos mercados desregulados para promover o crescimento, a inovação, a modernidade, a eficiência, a liberdade, orgasmo e a cura para a calvice.
Jornalões, colunas e colunistas, em especial nas editorias de economia, funcionaram esse tempo todo como uma espécie corregedoria ideológica do fim da história. Dentro e fora das redações, cuidavam de vigiar, punir e desqualificar quem ousasse argüir o mainstream, bem como o perímetro por ele reservado à democracia.
A universidade deve à história um livro branco sobre o peso da mídia nessa dialética de propaganda e vigilância. Não uma caça às bruxas que mimetize o objeto. Mas uma análise substantiva sobre como, sob a roupagem do 'especialista', valendo-se de uma novilíngua afiada, a imprensa exerceu por tanto tempo um poder equivalente ao do Grande Irmão, conseguindo inculcar no cidadão médio preconceitos como "gastança pública" e "custo Brasil". Foi assim que ela lapidou uma narrativa de mundo que viria demonizar como ineficiente o que era eficiente socialmente; como liberdade, o que restringia a democracia em benefício da livre circulação do dinheiro.
A derrocada de tudo aquilo que até há bem pouco atestava como inútil a busca de novas formas de viver e de produzir, assume assim a contundência de um pé-de-cabra que arromba as portas da história.
Abertas abruptamente, porém, senzalas materiais ou imateriais muitas vezes revelam a perplexidade dos libertos ao primeiro facho de luz. A vertigem, no caso, não parece ter poupado a própria esquerda.
Em meio às angústias que assombram trabalhadores e a classe média, emparedados entre a fatalidade de uma ordem que se liquefaz e um futuro que nada propõe exceto agonia, parte dos teóricos da esquerda agarra-se à discussão metafísica de modelos, desobrigando-se de assumir a dura carpintaria de construção da história nesse momento.
Uma das mais óbvias distinções entre o materialismo histórico e o idealismo é o reconhecimento de que a transformação da sociedade só é possível a partir de seus agentes de carne e osso, portadores de conflitos de pedra e cal.
Mas, perguntam teóricos da esquerda enquanto pau come solto nas vizinhanças, isto é, no mundo real: com ou sem regulação da economia pelo Estado nacional? Com ou sem estatização de bancos? Com ou sem indução de investimentos públicos? Com ou sem políticas públicas de garantia de emprego? Keynesianismo, mas como, na globalização? Socialismo, mas sem sujeito histórico proletário?
É interessante observar a desenvoltura eclética –para dizer o mínimo-- com que representantes do capital transitam por essas escolhas, ferramentas e campos conceituais postos na ordem do dia pela crise. Enquanto intelectuais de esquerda multiplicam as listas do que não é possível fazer –tudo, exceto o aprisco seguro de uma teoria da revolução mundial-- expoentes do establishment, desde um progressista Paul Krugman a um atilado analista como Nouriel Roubini; de Ângela Merkel a Gordon Brown, passando pelos insuspeitos Alan Greenspan e Nicolas Sarkozy, ninguém hesita em recorrer ao ferramental disponível, tenha ele o carimbo ideológico que tiver. A saber, da demissão em massa, à estatização de bancos; da emissão de moeda em quantidades industriais, a gastos fiscais pantagruélicos que cospem sem cerimônia no prato diet de alface e rabanete do Tratado de Maastricht.
O recado é claro: há uma desordem em marcha e ela ameaça o poder político do capitalismo. Vale tudo para evitá-lo. O Estado, suas políticas e fundos públicos oferecem a necessária dose de centralização, escala e capacidade de comando para ocupar o vácuo aberto pela finança em decomposição. "Momentaneamente", desculpam-se uns; "uma vez a cada cem anos", delimita Alan Greenspan; mas o fato é que se recorre a ele quando a escolha é salvar os dedos ou perder toda a mão invisível legada por Adam Smith.
Tamanha versatilidade não ofusca a derrota ideológica dos aparatos conservadores no centro e na periferia do sistema. Mas deixa claro que o avanço das demandas populares não ocorrerá porque o City Bank escorrega na ladeira de uma estatização provisória; ou a GM –maior montadora mundial até 2001-- debulha-se em perdas numa rota de falência assistida pelo Estado. Há substitutos em marcha para os mortos canibalizados pelo darwinismo da crise. A voragem de fusões e compras amparadas em fundos públicos, empurra a onda submersa que busca desesperadamente recriar o novo devorando o DNA do velho.
O salto político da esquerda pressupõe alternativas concretas a essa transição. Respostas capazes, por exemplo, de transformar a coordenação provisória da riqueza financeira pelo Estado em ganho permanente da sociedade, subordinando de vez o poder dinheiro à democracia; como a estatização do crédito, por exemplo.
Em diferentes períodos da história, a luta pela transformação da sociedade incluiu interregnos de capitalismo de Estado, ora associados à ampliação do poder político das massas; ora vinculados a acontecimentos devastadores em que um poder de coerção superior foi posto integralmente a serviço da guerra e da demência autoritária. O caso clássico é a ascensão do nacional-socialismo na crise dos anos 30, quando se assistiu a uma recuperação fulminante da economia alemã, graças a políticas de capitalismo de Estado coordenadas pelo comando nazista.
Desde a NEP, de Lênin, porém, passando pela China atual até a revolução bolivariana de Chávez e Morales, a ampliação da influência popular sobre o Estado tem permitido, ao contrário, deslocar as prioridades do capital a favor das urgências da democracia e da justiça social. Se ainda não é a revolução, como de fato não é; se ainda se recorre a políticas keynesianas a contrapelo das restrições impostas pela globalização, como de fato se recorre - vide Bolívia e Venezuela - a verdade é que são esses interregnos que representam hoje o ponto mais avançado da luta de classes em todo o mundo. Portanto, da esperança de renovação da agenda socialista em nosso tempo.
A lição parece ser que a história avança a partir de imperfeições;não de modelos desprovidos de conteúdo histórico. Movimenta-a um entrelaçamento tenso entre forças novas e instrumentos velhos, muitas vezes renovados até o ponto de mutação. A esquerda terá papel relevante na dialética da crise mundial se conseguir enxergar-se como parte desse amálgama de restrições e possibilidades cercados de ruídos e imperfeições. Se renunciar à carpintaria da história para mergulhar na busca metafísica da solução pura, a salvo de contradições, será tratorada pela desenvoltura ecumênica da força-tarefa capitalista. Mais uma vez.
No começo da noite desta sexta-feira (06), cerca de duzentos manifestantes realizaram na rodoviária de Brasília ato contra o aumento das passagens de metrô e microônibus no Distrito Federal. O Movimento Passe Livre (MPL) organizou o primeiro de uma série de atos para combater o aumento de 50% nas passagens e questionar o projeto de transporte coletivo do DF.
No início do mês, os microônibus ficaram R$ 0,50 mais caros, custando R$ 1,50, e o metrô passou R$ 2,00 para R$ 3,00, a tarifa mais cara do país. Por ora, o aumento da passagem de ônibus está suspenso, mas não inteiramente descartado.
PROTESTO EM BRASÍLIA
Manifestantes criticam aumento da tarifa do transporte público
Apesar de momentos de tensão com policiais, ato foi pacífico
Manifestante exibe cartaz em protesto contra aumento de tarifas
"O meu dinheiro não é capim, eu pulo a catraca sim" O MPL é um movimento social estruturado em mais de dez cidades brasileiras que luta por um sistema de transporte público que não esteja nas mãos da iniciativa privada e não funcione como mercadoria. Entende que o acesso à cidade é um direito fundamental e deve ser considerado serviço essencial, como saúde, educação e segurança, sendo plenamente financiado pelo Estado. A proposta mais ousada do movimento é a tarifa zero, onde os custos do transporte seriam pagos por meio de impostos progressivos, como o imposto de renda, onde quem recebe mais paga mais.
Uma bandeira representando um mundo sem catracas foi o ponto de encontro para as dezenas de manifestantes que se agrupavam conforme a tarde terminava e o fluxo na rodoviária aumentava. A passeata começou com faixas erguidas, batuque aquecido, apitos na mão e cantos de protestos. "Você aí parado, também é explorado" ou "Se a passagem não baixar, olê olê olá, eu vou pular". O governador do DF, José Roberto Arruda (DEM) era alvo preferencial: "Arruda, presta atenção, você não anda de busão".
Novos grupos de policiais chegavam a todo momento para acompanhar o ato. Cacetete em punho, delimitavam as fronteiras do grupo de manifestantes e impediam que fechassem ruas ao redor da rodoviária. Junto com os primeiros momentos de tensão apareceram os policiais dispostos a retirar sua identificação para agir anonimamente. Com câmera em punho, uma manifestante cobrou a identificação de um policial: "está aqui", respondeu enquanto quebrava com as mãos o aparelho da jovem. Apesar disso, a manifestação foi pacífica.
"Dentro do amplo movimento dos que lutam pelo direito à cidade, somos os interlocutores da pauta pela mobilidade urbana. Entendemos que o transporte de hoje é coletivo, não público. Um serviço, para ser público, precisa se diferenciar do privado, ser de acesso a todos. Diz o IBGE que mais de 30 milhões de pessoas não podem andar de ônibus por falta de recursos para pagar. E aí como fica o direito de ir e vir?", avalia o militante que, para evitar perseguição política, prefere se identificar apenas como Paique.
Adriana Saraiva, doutoranda em Antropologia pelo Centro de Pesquisa e Pós-graduação sobre as Américas (CEPPAC) da UnB, pesquisa movimentos populares autônomos e está realizando um contraste entre o MPL do DF e grupos semelhantes nos EUA.
"Os modelos políticos partidários clássicos, centralizadores, hierárquicos, já não são mais suficientes para dar conta dos anseios dessa nova geração de mobilização política. E aí surgem esses grupos horizontais, autogestionados, não-hierárquicos, onde o poder é constantemente trabalhado para ser diluído da melhor forma possível entre seus membros. É um movimento sem líderes, multicéfalo, e exatamente por isso tão difícil de ser lidado por aqueles que têm cristalizado o modelo de Estado e partidos como forma exclusiva de manifestação política", avalia.
A pesquisadora elogia a discussão que vem sendo amadurecida pelo MPL: "O traçado de Brasília foi pensado para o automóvel em detrimento do transporte público. Hoje existe um apartheid entre o plano piloto [o projeto original da capital] e as cidades satélites, construiu-se um cinturão sanitário ao redor da concentração de poder. A população da margem tem direito a seu vale-transporte apenas para ir e voltar do trabalho, o que significa que ela não é bem vinda para usufruir do centro como área de vivência, de lazer, apenas para servir".
Outro lado O Governo do Distrito Federal, por meio da assessoria de imprensa de sua secretaria de transportes, informou que o metrô vinha operando a preços promocionais e que, com a ampliação da malha e horário de funcionamento, tornou-se insustentável manter o valor antigo. Segundo dados do órgão, o número total de passageiros passou de 50 mil para 150 mil e cerca de 900 mil pessoas pegam ônibus ou microônibus todos os dias no DF.
Sobre o aumento dos micros, a secretaria aponta que mais da metade das linhas já operava a R$ 1,50 e que por um erro algumas linhas foram estabelecidas a R$ 1,00, o que quase levou o sistema à falência.
Outro ponto destacado é a ampliação do projeto de integração entre os diferentes meios de transporte. No momento, 20 linhas de microônibus e cinco de ônibus oferecem a possibilidade de integração, onde os usuários pagam R$ 3,00 para utilizar mais de um serviço, o mesmo preço que pagariam antes do aumento se tomassem um metrô e um microônibus. Espera-se que em no máximo quatro anos todo o sistema esteja integrado.
De acordo com a secretaria, mais de 50% da frota já foi renovada desde o começo do mandato de Arruda, em 2007, e o número deve chegar a 100% até o fim da gestão.
QUANDO? SEXTA-FEIRA, 06/02/09 ÀS 18 HORAS ONDE? NA RODOVIÁRIA DO PLANO PILOTO-DF QUE HORA? 18 HORAS
E, quando poucos esperavam, aumentou a - já muito cara - tarifa dos metrôs e micro-ônibus. O governo, dizendo que não queria colapsar os (empresários dos) transportes, colapsou as economias de milhares de tarifas. E o aumento foi de 50%!!! Nunca se viu tanta inflação assim nos transportes do DF, uma vergonha, coisa sinistra!! Os empresários dos transportes estão tentando tomar o DF de assalto. Ou melhor, com esse aumento o DF fica mais segregador, pois fica mais caro circular pela cidade!
O aumento das tarifas diminui nosso direito à cidade, pois com passagem cara é mais difícil andar pelo DF. E, se formos observar bem, enquanto houver tarifa ela vai aumentar. Então vamos lutar contra a própria tarifa! Parece loucura? Porque não tentar?
Por isso o Movimento Passe Livre resolveu chamar uma manifestaçãoo contra o aumento das tarifas do metrô e dos micro ônibus e contra o possivel aumento dos ônibus. Enquanto tiver tarifa, haverão aumentos. Ao mesmo tempo, haverá luta pelo seu fim.
Esse ato lancará a campanha pelo TARIFA ZERO!!!!
O QUE? ATO DO MPL-DF: ABAIXO ÀS TARIFAS QUANDO? SEXTA-FEIRA, 06/02/09 ÀS 18 HORAS ONDE? NA RODOVIÁRIA DO PLANO PILOTO QUE HORA? 18 HORAS
Esperamos todos e todas lá!
Movimento Passe Livre do Distrito Federal Por uma vida sem catracas!